Nathan não conseguiu dormir depois de tudo aquilo, ficou horas pensando em quais outros poderes ele teria e como ativou todos aqueles que já sabia ter. Não conseguiu chegar em nenhuma conclusão e nem conseguiu usá-los de novo, coisa que o deixou um pouco frustrado e na obrigação de ver Mal o mais rápido possível para pedir explicações, se é que ele poderia ter alguma. Ao amanhecer, Nathan pegou uma mochila que estava no quarta do seu antigo colega e a encheu com algumas garrafas d’água e pacotes de bolacha para então sair na rua e decidir o que faria em seguida; ela estava do mesmo jeito: vazia, silenciosa e ao mesmo tempo barulhenta, fazendo um barulho que não se pode ouvir mas que incomodava tanto quanto várias buzinas de carro ao mesmo tempo, e ele ainda não havia se acostumado com isso. Pensou que suas roupas estavam muito sujas e foi em direção ao centro da cidade para encontrar alguma loja e pegar umas roupas novas. Era incrível como tudo na cidade havia ficado na mais perfeita disposição, como se os motoristas dos carros tivessem sido levados sem as portas serem abertas e ainda estivessem pilotando; em uma rua de um cruzamento, havia um congestionamento de uns 8 ou 9 carros, enquanto na outra os carros estavam começando a se mover, como se o semáforo acabesse de dar sinal verde. Tudo era uma grande vida morta.
Várias lojas estavam abertas quando Nathan chegou ao centro da cidade: lojas de brinquedo, lojas de departamento, bares, lanchonetes... “é o cenário perfeito para um ladrão de terceira categoria, tudo está aberto e pronto para ser roubado... mas eu só vim pegar umas roupas novas”, pensou ele. Foi logo em direção à loja que mais gostava na cidade, uma loja de materias esportivos.
- Vou me vestir em roupas leves, assim pode ser que eu consiga escapar mais facilmente do que quer que seja e canse menos por carregar menos peso.
Pegou duas camisas leves, daquelas básicas produzidas por marcas esportivas, duas bermudas do mesmo estilo e algumas cuecas e meias. Estava procurando por um telefone dentro da loja para ligar pra Mal quando ouviu um barulho, parecia um apito de baixo frequência, daqueles usados com cachorros; o problema era que o apito parecia estar em todos os cantos da loja. Olhou ao redor, olhou no estoque, embaixo de cada estante e não encontrou nada. Quando estava para sair da loja, a dois passos da porta, um Bonum caiu como um meteoro bem na sua frente – aquela criatura maravilhosa, adornada com ouro e, ao mesmo tempo, horrível e que despertava um grande terror em Nathan. Antes mesmo de ter a chance de pensar em algo, o Bonum tirou sua grande espada das costas e tentou acertar Nathan com um golpe na horizontal, que conseguiu se abaixar a tempo. Rolou para dentro da loja ainda deitado, deixou a mochilha em um canto atrás do balcão e procurou coragem para levantar e encarar a criatura que tanto lhe aterrorizava. Ainda estava escondido quando a grande espada desceu em um golpe na vertical e quase arrancou sua orelha fora, quebrando o balcão de madeira no meio. Levantou e saiu correndo para fora da loja, aonde teria mais espaço para enfrentar o Bonum. Olhou para trás enquanto corria e mais uma vez se espantou com a velocidade e leveza com a qual aquela espada era manuseada levanto em conta seu tamanho e peso. Não demorou muito até que Nathan fosse alcançado e levasse um soco nas costas, que o arremessou quinze metros para frente, dentro de uma lanchonete e fez ele se chocar contra uma mesa de plástico. Nathan sentia toda a dor nas suas costas e notou alguns cortes na sua perna, causados pela mesa quebrada, mas não havia nada que o impossibilitasse de voltar para a luta. “Acho que descobri outro poder”, passou por sua cabeça. Se colocou de pé e focou o Bonum com o olhar, aquele enorme ser caminhando em sua direção. Sentiu uma grande raiva percorrendo seu corpo e suas mãos se incendiaram do mesmo modo que uma folha de papel encharcada com álcool, mas dessa vez não teve medo e simplesmente deixou a raiva fluir. Concentrou toda ela para as suas mãos somente para ver o fogo aumentando e, correndo em direção ao inimigo, saltou pouco antes de alcançá-lo e o golpeou com um soco no peito. Sua armadura trincou e o obrigou a recuar alguns passos antes que Nathan pudesse lhe arremessar duas bolas de fogo que o atingiram no braço direito, fazendo com que o Bonum soltasse a espada no chão. Correu novamente em direção a ele com as mãos fechadas em um martelo para de golpeá-lo na cabeça quando o Bonum, de maneira MUITO rápida, desviou das mãos ardentes de Nathan, segurou seu pescoço com a mão esquerda e começou a asfixiá-lo. O fogo de suas mãos sumiram em uma tentativa desesperada de se livre daquela mão que tinha duas vezes o tamanho da sua; um medo começou a percorrer seu corpo, medo de morrer, medo da humanidade inteira se perder com a sua morte. Sua visão foi escurecendo e o ar dificilmente entrava em seus pulmões quando, de repente, suas mãos começaram a ficar geladas e adormecidas, ele olhou para ela e viu uma leve fumaça, um gás quase invisível que saía delas. Enquanto o Bonum se abaixava para pegar a espada do chão, Nathan colocou suas mãos na cabeça da criatura e começou a apertar com a pouca força que lhe restava para vê-la congelar desde o topo até o pescoço, fazendo com que o Bonum o soltasse e ele caísse no chão. Não pensou duas vezes: pegou a grande e bela espada que estava ao seu lado e, girando os braços com a maior força e raiva que conseguiu reunir, a espada começou a pegar fogo e golpeou-o com um ataque na horizontal, decepando o inimigo. Sua cabeça caiu rolando no chão e, após sangrar por alguns segundos, a espada, corpo de cabeça do Bonum irradiaram uma luz ofuscante antes de virarem um pó dourado e desaparecerem no ar. Nathan se acalmou, sentou no chão e o fogo de suas mãos novamente se apagou. “Ainda não entendo esses poderes, não mesmo...”, disse para si mesmo enquanto estava sentado no meio da rua.
Após se recuperar da recente batalha, achou um telefone público não muito longe de onde estava e ligou para o número do Mal. O telefone chamou uma, duas, três vezes e ele notou a porta de um bar que estava fechado se abrindo. Foi até lá e, ao entrar, viu seu “clone” novamente sentado no balcão, tomando um xícara de café e fumando um cigarro.
Após se recuperar da recente batalha, achou um telefone público não muito longe de onde estava e ligou para o número do Mal. O telefone chamou uma, duas, três vezes e ele notou a porta de um bar que estava fechado se abrindo. Foi até lá e, ao entrar, viu seu “clone” novamente sentado no balcão, tomando um xícara de café e fumando um cigarro.
- Preciso de ajuda, não sei o que está acontecendo comigo... não sei o que são esses poderes, como eu consigo ativá-los, como... – Nathan foi interrompido pelo Mal.
- Eu também não sabia até você conseguir dominá-los, Nathan, – disse Mal, apontando o banquinho ao seu lado – sente-se, tome um café e prepare-se para ouvir tudo o que precisa: como dominar seus poderes, como eles funcionam e porque eu não enviei as Sombras para te salvar dessa vez.
- Eu também não sabia até você conseguir dominá-los, Nathan, – disse Mal, apontando o banquinho ao seu lado – sente-se, tome um café e prepare-se para ouvir tudo o que precisa: como dominar seus poderes, como eles funcionam e porque eu não enviei as Sombras para te salvar dessa vez.
Terá continuação?
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